Lições do Debate

Isso se chama trabalho em equipe

Isso se chama trabalho em equipe

Tivemos a oportunidade fantástica de participar da primeiríssima edição do #BlogTurFoz – um encontro que reuniu 14 blogueiros de diferentes estados em Foz do Iguaçu, nos dias 10 a 14 de agosto. A organização desse evento, capitaneado pelo blogueiro Maurício de Oliveira e com o apoio irrestrito da Loumar Turismo, se mostrou extremamente eficiente tanto na sua execução quanto na repercussão nas redes sociais, levando o destino Foz do Iguaçu para os Trending Topics do Twitter por duas vezes.

Tudo isso é muito bacana, mas é a prática da coisa que manda, certo? E ver acontecer o sucesso de uma ação desse porte nos fez refletir e levantar alguns pontos a respeito do cenário e das possibilidades dos blogs de turismo nesse mercado.

Porém nem tudo é só diversão. Em uma das tardes, rolou um bate-papo com os participantes do #BlogTurFoz sobre a importância das redes sociais no fomento ao turismo, inclusive com a participação de diversos blogueiros através do twitter, onde foram levantados alguns pontos bem interessantes:

Blogs são fontes plurais de informação – é inegável reconhecer que está acontecendo uma revolução definitiva na forma de se criar e compartilhar conteúdo. A produção é livre, a publicação também, e as referências de um bom conteúdo sobre qualquer tema se multiplicaram. Conteúdo bom, hoje, não é mais necessariamente pago, e o usuário tem toda a informação que quiser a poucos clicks do mouse. Ou seja, as fontes tradicionais de informação e suporte a destinos de viagens, por exemplo, estão perdendo o seu papel preponderante de exclusividade, e têm que aprender na marra a se reinventar no meio de tanta informação criada e atualizada a cada segundo através dos blogs.

Mudança do comportamento de compra de viagens: A consequência direta dessa brincadeira é o comportamento do consumidor, do leitor, do usuário, do cliente das outroras agências de viagem. Num mundo em que tudo cada vez mais é self-service, tudo está à disposição, e tudo ele quer fazer do jeito dele, porque agora ele já tem informação na mão para isso. E o melhor, é grátis! Se isso já acontecia na hora de comprar um computador pela internet, porque seria diferente com a viagem de férias?

As redes sociais podem divulgar um destino (para o bem e para o mal, inclusive): Final óbvio da história. Ainda vale a regra clássica do marketing de que os clientes confiam mais na opinião de amigos do que em pesquisas de satisfação. O que dizer quando os amigos em questão extrapolam as fronteiras geográficas e que as mesas de bar dos bate-papos de antigamente viraram timelines com espaço ilimitado de seguidores? Hoje sabemos que um único botão de “curtir” ou “RT” já é o suficiente para transmitir um elogio ou problema adiante em um efeito cascata.

Sai o agente de viagens, entra o blogueiro: E isso é fato. Essa mudança vem sendo gradual e contínua, evoluindo junto com o amadurecimento dos blogs de viagem e de suas propostas. Isso porque ele é uma referência em viagens, tem experiência ao visitar destinos (porque já relatou-os todos), tem seguidores, mas, principalmente, agrega à viagem o seu próprio relato e olhar… E é nesse detalhezinho, nessa experiência própria vivida, contada e sentida na pele, que está a diferença entre a aridez imparcial dos guias de viagem e da emoção de “gente como a gente” própria do blogueiro – que, também, é viajante como nós.

Ou seja, o vento está ao nosso favor. A favor de todos, empresas do turismo, blogueiros e comunidade. E a hora é essa de traçar parcerias que permeiem estes três públicos para todo mundo sair no ganha-ganha.

Claro que isso envolve mudar alguns paradigmas. As empresas de turismo, por exemplo, precisam perceber a importância das redes sociais e que o negócio já começa obsoleto se não incluir também ações em mídias digitais. E que o blogueiro de viagem pode ser uma ferramenta estratégica no processo de gestão da comunicação do negócio, uma vez que é ele quem gera um buchicho que campanhas publicitárias, muitas vezes, não conseguem (além de ser mais barato, inclusive). Porque tudo o que gera opinião gera “buzz”, que gera curiosidade, que gera conhecimento, e por consequência, interesse… Até porque, na verdade, sempre foi assim. A diferença hoje é que o telefone sem fio agora também tem internet.

E, certamente, esse é uma aposta que exige coragem. Afinal, levar 14 blogueiros para um destino, como a Loumar Turismo fez, assumindo o risco de ter 14 resenhas negativas sobre a sua empresa, é estar consciente de que está dando a cara à tapa. É ter certeza de que os seus processos, equipe, parceiros, trabalho – tudo está ajustadinho. É se garantir muito enquanto empresa para bancar isso.

E, honestamente, admiramos quem pensa assim e faz acontecer. Porque o cenário está ótimo, Copa e Olimpíada já estão aí. O turismo está com todo o fôlego. E quem não se garantir o quanto antes vai perder a fatia gorda do bolo.

Foi ótimo trocar essas figurinhas nesse debate e ver que nós, blogueiros, pensamos da mesma forma. Porque todo mundo começou mais ou menos do mesmo jeito. Por acaso, escrevendo sobre viagens seja pela fissura no assunto, ou por hobby, ou por passatempo. Mas se a gente continuou nessa vida é porque tomou gosto pela coisa. Rolou amor, paixão, conexão, seja com os leitores ou com o nosso próprio conteúdo (essas coisas de amor entre criador e criatura!).

Um pouco mais do que falamos no debate

“E é aquela história: se topamos o desafio contínuo de nos dedicar ao blog, escrever o post nosso de cada dia, escrever, reescrever, lapidar, deletar e começar tudo de novo, e torcer o texto até sair do jeito que a gente quer – porque transformar o hobby em trabalho, dá trabalho – não foi por dinheiro. Foi por amor.” – Clarissa Donda

E para ter amor tem que ter responsabilidade também!

Por isso, propomos nos organizarmos ainda mais. Nos conscientizarmos do nosso papel, da nossa força e dos nossos deveres. Entendermos que a gente faz um trabalho sério, relevante e, sobretudo, que pode ser o diferencial para ajudar a estimular o turismo local de forma positiva e sustentável. Acreditarmos no papel dos blogs como importantes ferramentas capazes de gerar “buzz” (barulho), promover descobertas, multiplicar olhares sobre um mesmo destino. E sermos, sobretudo, a favor da pluralidade: de destinos, de olhares, de estilos de viagens, de pontos de vista. Porque tem espaço para isso. Mas só para quem faz direito.

A discussão é infinita, interessante, plural e necessária. E está aberta a todos… Até porque, sabemos, nunca se falou tanto de turismo. E até 2016, falaremos muito mais.

E no que depender de nós, o falatório ainda nem começou… e o que você acha disso tudo?

Texto por Clarissa Donda (do Blog Dondeando por Aí), com participação de Maurício Oliveira (do site Trilhas e Aventuras) e vídeo por Pedro Serra (do Blog Sem Destino).